Algumas linhas de ação

Como candidato, e, mais que isso, como cidadão estou bastante impressionado com a absoluta falta de interesse das pessoas em relação às eleições que se aproximam. Faltam apenas 33 dias para irmos às urnas e, nas ruas, parece que nada ocorrerá. Resultado, certamente, da atuação deprimente (e/ou criminosa) de parte dos políticos que aí estão, alguns há décadas, na vida pública. Antes a renovação do que a apatia, é o que espero.

Após o alerta acima, faço esta publicação para explicitar algumas das linhas de ação que pretendo implementar se porventura conseguir ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. No Facebook, coloquei-as em tópicos simples, mas por aqui tenho mais espaço para discorrer um pouco sobre cada uma delas. Sugestões, claro, são muito bem-vindas e podem ser encaminhadas pelo formulário de contato, aqui mesmo no Blog do Blanco.

1ª) Defender de forma irrestrita os Servidores Públicos: Sou servidor público estadual e sinto na pele a tremenda desvalorização que nos é impingida. Serei um representante fiel de todos os meus colegas de trabalho. Meu voto será o voto dos servidores.

2ª) Acompanhar com extrema atenção as contas do Executivo: Algumas pessoas não sabem, mas é função dos Deputados Estaduais acompanhar de perto os gastos do Governo, e, também, criar Comissões Parlamentares de Inquérito para investigar possíveis ilícitos na administração pública. O Estado do Rio de Janeiro foi severamente prejudicado por conta de uma Organização Criminosa que se espraiou pelos Poderes Executivo e Legislativo. Sem fiscalização rigorosa, a corrupção e os desmandos atingem grandes proporções.

3ª) Rever as leis que tratam sobre animais, notadamente os que são utilizados para tração: Grande parte do que há em relação a animais, na legislação estadual, aparentemente foi criado sem um assessoramento correto, principalmente da área de medicina veterinária, ou, pior, com mero foco político-eleitoreiro. Isso mesmo, para ganhar votos! O resultado disso? Leis que não são regulamentadas e, por consequência, servem apenas para “inglês ver”, sem qualquer aplicabilidade prática. Escrevi neste blog um texto onde abordo, dentre outros assuntos, a Lei Estadual nº 7194, de 07/01/2016, que “tenta” resolver a questão dos equinos utilizados para fretamento de carroças e charretes. Uma pérola da falta de conhecimento que não leva em consideração a realidade dos municípios e nem a do próprio Estado. O mais interessante é que ela surgiu como Projeto de Lei na ALERJ e foi sancionada pelo Governador, conforme expliquei no mais recente vídeo que fiz. Nesse sentido, é importante sensibilizar o Poder Público para que mapeie da melhor forma possível as localidades onde a tração animal ainda ocorre, para exigir, a princípio, a assistência médico-veterinária adequada aos animais. Estudos devem ter início, inclusive junto à iniciativa privada, para que a atividade seja substituída por algo economicamente viável, e, se possível, ecologicamente correto, como ajudei a implementar na Ilha de Paquetá quando era subsecretário técnico na hoje extinta Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais (SEPDA).

4ª) Captar recursos estaduais e federais para que o Governo estabeleça parcerias público-privadas com clínicas veterinárias visando a esterilização e a vacinação antirrábica de caninos/felinos errantes e comunitários: Uma preocupação que tenho, como médico veterinário que labutou por quase 30 anos na Saúde Pública, são os animais que as campanhas de vacinação não alcançam e, da mesma forma, a reprodução desenfreada dos mesmos nos ambientes urbanos. Trata-se de uma questão que envolve as zoonoses, claro, mas também diz respeito a maus-tratos. Animais nas ruas podem ficar doentes e transmitir algumas patologias de importância em Saúde Pública às pessoas (a Raiva é a mais mortal delas), e, sem controle populacional algum, passam privações tremendas e, não raro, sofrem extermínio por parte de meliantes cruéis. Neste blog escrevi algumas matérias sobre os desafios para o controle da Raiva Animal nas cidades, sobre o abandono de pets e sobre a Esporotricose, outra zoonose que se encontra descontrolada no Estado. A maioria dos municípios fluminenses se mostra despreparado e/ou sem recursos para iniciar ações de controle efetivo da população de animais de rua. Há os que vinham realizando algum trabalho nesse sentido, mas que tiveram sua capacidade operacional absolutamente diminuída por falhas graves de gestão.

5ª) Criar lei que promova a inserção de palestras e atividades lúdicas voltadas à posse responsável de animais para alunos do Ensino Médio: Trata-se de uma ideia que não geraria ônus ao Poder Executivo, mas que julgo ser de grande relevância, já que procuraria sensibilizar e informar os alunos da Rede Estadual de Ensino – podendo se estender para as escolas particulares – sobre os cuidados que um animal, ser senciente, deve receber e os vários problemas proporcionados pelo abandono. Trabalhar, de forma lúdico-pedagógica, a questão junto aos jovens é uma forma de criar importantes multiplicadores junto à sociedade. Durante o período em que coordenei o controle da Dengue no município do Rio de Janeiro, incentivei a criação de grupos de teatro, formados por Agentes de Endemias, que muito contribuíram com a transmissão de conhecimentos sobre a prevenção daquela doença, notadamente às crianças. Trabalhar a educação é a melhor e mais eficaz maneira de se solucionar problemas, quaisquer que sejam.

6ª) Sensibilizar o Governo quanto à premência de fortalecer a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e criar instância estadual voltada para a proteção dos animais: Sabemos que, na atual conjuntura, quem assumir o Governo do Estado do Rio de Janeiro terá a missão hercúlea de colocar a casa em ordem, de sanear as contas públicas. O Estado se encontra num grande buraco, não apenas no que tange às finanças e aos investimentos, mas, sobretudo, em matéria de segurança pública. Não haverá recursos para implementar novas instâncias e quem alardear o contrário estará vivendo numa realidade paralela, possivelmente. Manter o que há, otimizar processos de trabalho, e, se possível, melhorar a qualidade dos serviços prestados será o norte a ser seguido. Sensibilização é a palavra. Quanto à DPMA, ela precisa de maior suporte, não apenas no que se refere aos animais, onde mais médicos veterinários devem ser aproveitados, mas também um incremento de efetivo que a ajude a apurar se as compensações ecológicas, referentes às obras diversas que ocorrem no Estado, estão sendo realmente implementadas. A cada dia que passa mais empreendimentos surgem nas cidades e a cobertura vegetal vem sendo paulatinamente substituída por concreto armado. Citando apenas um exemplo: Companhia Siderúrgica do Atlântico. Aí no seu bairro, você tem visto os órgãos públicos plantarem árvores ou tomarem alguma medida ambiental protetiva à sociedade? Confesso que eu não vejo isso há muito tempo, fora uma ou outra iniciativa particular. Se há a tal compensação, é importante que os cidadãos saibam onde ela ocorre, qual é, quem é o responsável pela implantação e no que a iniciativa pode contribuir com a sua saúde e o seu bem-estar. Coibir a inação dos governos, que deveriam fiscalizar com rigor isso, também é uma prática que se espera de uma delegacia especializada como a DPMA. Ficaremos de olho!

Sobre Mauro Blanco

Sou carioca da gema, morador da Zona Oeste, tricolor, bacharel e mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e servidor concursado da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, lotado na Superintendência de Vigilância Sanitária. Já atuei como Oficial Temporário no Exército Brasileiro, na Companhia Municipal de Limpeza Urbana (como Subgerente na Gerência de Vetores), na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (como Coordenador de Controle de Vetores, Coordenador de Vigilância Ambiental em Saúde e Diretor do Centro de Vigilância e Fiscalização Sanitária em Zoonoses Paulo Dacorso Filho), na Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais, instância pertencente à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, como Subsecretário, e na Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, também Prefeitura do Rio, como Chefe de Gabinete.
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8 respostas para Algumas linhas de ação

  1. Mariza disse:

    Espero que atente bem para as dificuldades do funcionalismo, bem como se dedique aos animais abandonados.

    • Mauro Blanco disse:

      Muito obrigado pela sua manifestação em meu blog, cara Mariza. Quanto aos servidores, trata-se de uma prioridade, haja visto o massacre que estão sofrendo. Sou servidor público e sei das dificuldades e da desvalorização pelas quais passamos diariamente. Quanto aos animais, tenho experiência no assunto pois fui subsecretário técnico de uma importante instância que cuidava do tema, na Prefeitura do Rio. Convido-a a visitar o link onde trato com mais profundidade desse assunto.

  2. Cátia Argento gomes disse:

    Prezado Mauro Blanco, como cidadã, estou desestimulada a votar. Sou Bióloga e busco não desperdiçar meu voto num candidato que só abraça a causa animal em época de campanha. Por favor, me convença ser um candidato íntegro e preocupado com a situação dos animais abandonados em nossa maltratada Cidade.
    Abraço cordial
    Cátia

    • Mauro Blanco disse:

      Prezada Cátia, não a condeno por estar desestimulada, pelo contrário. Por tudo o que acompanhamos diariamente nos noticiários, qualquer cidadão “torce o nariz” para assuntos que digam respeito à política. Mas a questão fundamental, como diria Bertolt Brecht, é não deixar transformar esse desestímulo em omissão. Sei que não é o seu caso, mas se nós, cidadãos de bem, não fizermos – ou tentarmos – nada para reverter esse quadro, a tendência do que já está muito ruim é apenas piorar. Venezuela, que outrora era um país rico, está aí para não me deixar mentir. A experiência que possuo na Proteção Animal adquiri quando trabalhei na extinta SEPDA, instância da Prefeitura do Rio de Janeiro (veja este vídeo), e, antes mesmo de lá assumir uma das subsecretarias, na cadeira da Direção do Centro de Controle de Zoonoses. Abandono e maus-tratos faziam parte da minha rotina de trabalho e as medidas para coibir isso, com os parcos recursos que possuíamos, eram os meus desafios diários. Tenho experiência na área, na teoria e na prática.

  3. Luiz Tarcitano disse:

    Um Médico Veterinário de coragem que irá fazer acontecer!!!! Estamos juntos!!!

  4. Eduardo Panzariello Duque disse:

    Bom dia, quem me conhece sabe que não voto em ninguém há muito tempo, tenho ojeriza a essa “política” que temos em nosso país, entretanto venho abrir uma exceção em razão da candidatura dessa pessoa que antes de qualquer aspiração política, já fazia algo pelo todo, pelo próximo, uma pessoa humana, íntegra, de caráter e é gente como a gente, grande Mauro Blanco, desde há muito tempo, ajudou e ajuda meu irmão especial, com mantimentos diversos e até recursos financeiros, nunca quis promover-se com isso, é o mínimo que posso fazer é escrever aqui em seu blog, e divulgar com meus amigos e familiares, a sua aspiracao a entrar na política, espero realmente que consiga êxito no pleito, apesar de saber que normalmente os que têm posses, dinheiro, recursos, tem sempre mais condição, porém, além de fazer a minha parte, penso que o povo que também está decepcionado e desacreditado na política, vá dessa vez, eleger um grande caráter para tornar-se um grande deputado, Eu acredito, meu querido, você tem o meu voto, o da minha família, meus amigos e de quem mais eu puder indicar e influenciar. Toda sorte de bênçãos da parte de Deus para tua preciosa vida!!!!!!!

    • Mauro Blanco disse:

      Emocionado, agradeço muito pela sua manifestação de carinho, respeito e fé nas pessoas de boa vontade, querido Eduardo. São cidadãos decentes como você, seus queridos familiares e amigos, que aumentam a nossa corrente do BEM. Precisamos mudar o quadro que se estabeleceu na política. Nosso país (e Estado e municípios) não merecem mais toda a carga parasitária que vêm suportando há décadas.

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