Vigilância Ambiental em Saúde

No período de 07-11/05/2012, tive oportunidade de realizar um interessante treinamento no Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP, intitulado “Técnicas de Biomonitoramento em Poluição do Ar”.

Dentre as técnicas ensinadas, uma chamou a atenção pela alta sensibilidade, grande reprodutibilidade e baixo custo: o teste do índice de abortos em grãos de pólen, um bioensaio que tem sido utilizado com grande sucesso no monitoramento ambiental.

Trouxemos a técnica para o Rio de Janeiro e iniciamos as atividades na Zona Oeste. A árvore que utilizávamos para esse tipo de trabalho era a pata-de-vaca (Bauhinia forticata), também chamada mororó e pé-de-boi. Ela é uma árvore brasileira nativa da Mata Atlântica e de outros biomas. Abrange 7 variedades e é usada tradicionalmente como medicamento – tem sido objeto de estudos no controle da diabetes. Estudos científicos comprovaram que contém insulina. Essa árvore é pioneira e importante na regeneração de matas degradadas.

Realizávamos coletas de inflorescências (botões) de pata-de-vaca em diversos bairros e estabelecemos uma área controle, teoricamente com índices de poluição baixos. Essa área controle foi a Serra do Mendanha, local muito próximo de onde resido.

Para analisar os grãos de pólen, montamos um laboratório experimental no bairro de Santa Cruz e, aproveitando o ensejo, construímos lá um viveiro de mudas de pata-de-vaca para realizar o plantio em vários locais. Unimos, dessa forma, o útil ao agradável, ou seja, teremos no futuro material para estudo em abundância, e, sobretudo, melhoraremos a qualidade do ar que respiramos. Lembremos sempre que árvore é sinônimo de vida.

O trabalho foi importante em vários sentidos: primeiro, porque iniciamos, salvo melhor juízo, algo pioneiro em nossa cidade; segundo, porque pude estabelecer e/ou fortalecer laços de consideração e amizade com profissionais de primeira linha, que formaram minha equipe; e em terceiro lugar, conheci muito mais da região onde vivo e fiz imagens fantásticas do ambiente que nos cerca, visando colaborar com a divulgação da necessidade de preservação do mesmo. Muitas dessas imagens estão nos meus álbuns “Viva a Natureza”.