Quando o mal exemplo vem de cima

Não que isso seja novidade, pois já vi cenas até piores em diversas ocasiões, mas hoje eu estava no interior de um ônibus, aqui no bairro de Campo Grande, e ao meu lado viajavam pai e filho, sentados um ao lado do outro. Reparei a ligação familiar numa das falas do garoto, que devia ter uns 12 ou 13 anos. Ele levava uma pipa e aparentava estar muito feliz com aquele brinquedo.

Num determinado momento, próximo ao West Shopping, levanta-se o pai e toca a sineta do ônibus. Como o menino demorou a se levantar, meio atrapalhado para não rasgar a pipa, talvez sua melhor “companheira” na atualidade, bradou o pai sem o menor escrúpulo, para quem quisesse ouvir: “Tu é mole pra c…”. Não vou transcrever o termo chulo, pois não quero agredir, também, a você que está lendo o meu texto.

Na verdade, senti-me, além de solapado por aquela atitude do adulto imbecilóide, parente muito, muito próximo do Australopithecus africanus, envergonhado pelo vexame no qual o garoto foi covardemente submetido. Os passageiros se entreolharam e esboçaram um misto de incredulidade e compaixão. Pobre garoto.

Fico imaginando como aquele futuro cidadão se comportará, como tratará seus filhos e, sobretudo, seus pais. Tomando por exemplo o que está sendo-lhe apresentado hoje, penso que poderá entender ser natural interagir dessa forma com quem quer que seja. Dureza, não? Quão frágil, neste nosso século XXI, é o que deveria ser um dos maiores e mais poderosos pilares da humanidade: a Família.

Sobre Mauro Blanco

Sou carioca da gema, morador da Zona Oeste, tricolor, bacharel e mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e servidor concursado da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Já atuei como Oficial Temporário no Exército Brasileiro, na Companhia Municipal de Limpeza Urbana (como Subgerente na Gerência de Vetores), na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (como Coordenador de Controle de Vetores, Coordenador de Vigilância Ambiental em Saúde e Diretor do Centro de Vigilância e Fiscalização Sanitária em Zoonoses Paulo Dacorso Filho), e na Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais, instância pertencente à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, como Subsecretário.
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3 respostas para Quando o mal exemplo vem de cima

  1. Filomena disse:

    FICO INDIGNADA COM ATITUDE DE CERTAS PESSOAS…

    MAS COMO NEM TODA ROSA TEM ESPINHOS , VOU TORCER PARA QUE ESSE GAROTO NÃO SIGA O MAL EXEMPLO DO PAI ,E QUE MAIS TARDE ELE COMPREENDA QUE ASSIM COMO O SENHOR QUE A REAÇÃO DO PAI FOI PIOR QUE A DELE QUE ESTAVA PROTEJENDO UM BRINQUEDO .

    O PAI NÃO TEVE A MESMA REAÇÃO COM O PRÓPRIO FILHO.

  2. luiz fernando disse:

    Vim ao mundo em 1945 e atualmente resido no Flamengo, na mesma rua onde nasci. R. Marquês de Abrantes. Morei no Meier na Magalhães Couto de 1950 a 1970, vi a 24 de Maio com mão dupla e fiz o primário no Metropolitano. O Imperator? Lá estava eu na inauguração, semanas e semanas assistindo “Festival Walt Disney”. Ali dentro, os espelhos são de cristal, e as paredes de mármore de Carrara. Alguns anos atrás, fui ao Meier a serviço e ao passar pelo cinema, fiquei decepcionado. Uma sala de espetáculos (a maior da América do Sul) transformada em camelódromo! doeu…mas, apesar disso, notei lá no fundo, uma gigantesca grade protegendo o patrimônio que hoje leva o nome de João Nogueira, o qual eu conheci pessoalmente, na década de 60.
    A respeito do que aconteceu entre pai e filho no ônibus, eu só lamento dizer, que na maioria das vezes, nós só damos valor ao que temos, quando o perdemos. Tomara que esse garoto tenha muitos anos de vida e lembre daquele episódio com espírito de perdão, afinal apesar da estupidez, era seu pai. Realmente é lamentável assistirmos as consequências de uma péssima “educação”. Não tomar nenhuma atitude no momento pode ser o recomendável mas, o simples ato de reprovação ao acenarmos negativamente com a cabeça, trará algum resultado e o sujeito vai se lembrar disso na próxima vez…valeu?
    Um abraço, Mauro.

    • Mauro Blanco disse:

      Caro Luiz, obrigado pelo seu comentário. Aproveitei e fui dar uma olhada em seu Blog e vi que tens um trabalho fantástico. Já divulguei-o no Facebook e deixo aqui a dica para os meus leitores: “http://granit77.blogspot.com.br/”. A propósito, quantas saudades tenho do Méier, onde passei 29 anos de minha vida.

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