
Independentemente da sua ideologia, se é de esquerda ou de direita ou de centro, ou se já acha que tudo isso no fundo é uma grande manipulação das massas, convido você a fazer uma reflexão comigo; na verdade um exercício de memória. Foquemos, a princípio, apenas nas eleições de 2022, que elegeram (ou reelegeram) Presidente da República, Senadores, Deputados Federais, Governadores e Deputados Estaduais. Apuremos mais ainda esse exercício e passemos a mirar apenas no Congresso Nacional, ou seja, nos Senadores e Deputados Federais. Você, que ao contrário de mim votou em alguém, lembra dos políticos que ganharam seu voto? Atenção! Não quero dizer – ou sequer insinuar – que o fato de eu não ter votado me torna melhor ou pior que você, tá certo? Tudo hoje dá motivos para interpretações tendenciosas e agressões gratuitas, diga-se de passagem.
Vamos avançar. Caso você tenha votado em alguém para ocupar esses cargos, visando ser seu representante lá no Legislativo Federal, lembra-se o que essas pessoas fizeram em prol da sociedade brasileira? De verdadeiro, claro. Explico: o que o político no qual você votou apresentou em termos de leis/projetos, qual papel desempenhou efetivamente na fiscalização das contas do Executivo, quais as entregas que fez?
Enfatizei no parágrafo anterior a palavra “verdadeiro” e vou esclarecer. O que tenho observado, e olha que acompanho com interesse o que esses indivíduos eleitos falam nas tribunas das respectivas Casas Legislativas e, sobretudo, como se comportam nas diversas comissões, é que a atividade parlamentar de grande parte deles se resume a “lacrar” (recurso discursivo voltado a atrair atenções, sem relações mais efetivas com a realidade) nas redes sociais, amiúde até objetivando monetização no Instagram, Facebook, TikTok, YouTube e outras plataformas. E vejam bem, pouco importa se o que está sendo divulgado é verossímil ou não. Impressionante!

Levando-se em consideração que, somando salário, verba de gabinete, cota parlamentar, encargos trabalhistas e auxílio-moradia, o custo mensal médio de um Deputado Federal é estimado em cerca de R$ 270 mil, resultando em um gasto anual superior a R$ 3,2 milhões por parlamentar, monetizar conteúdo despejado nas redes sociais soa minimamente a canalhice, ainda mais cogitando que a argumentação usada por eles possa se caracterizar num ardil para falsear a verdade, induzindo os cidadãos à formação de opinião enviesada. O cálculo acima, a propósito, não inclui despesas indiretas, como estrutura administrativa, segurança, manutenção de imóveis e campanhas eleitorais. Tendo em vista o que essa turma devolve à sociedade brasileira, você acha que já não há significativa espoliação do Erário Público em se manter 594 políticos por lá? Necessário ressaltar (e relembrar) que você ajuda a pagar essa conta, claro.
Mas não satisfeitos com essa farra, os parasitas (permita-me chamá-los assim para não degringolar de vez com a polidez deste texto), de forma corporativa e em autodefesa, votaram a proliferação deles próprios, que passariam a ser 612 figuras, um acréscimo de 18 Deputados Federais. E decerto os parasitas proliferam… Além disso, conforme determina a Constituição Federal, o número de deputados estaduais mudaria também. Bola de neve à vista, e nós que suportemos isso através dos impostos escorchantes que pagamos.
Pois bem, quase chegando à conclusão. Independentemente do veto presidencial ao Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 177/2023, de autoria da deputada Dani Cunha (União-RJ), que autorizava esse aumento do número de Deputados, veto esse que ainda pode cair, discrimino abaixo aos eleitores fluminenses, para que guardem como norte ao futuro voto (e desta vez acho que até votarei) os nomes dos parlamentares do RJ que se posicionaram a favor, se abstiveram ou obstruíram naquela votação pornográfica:
– Sen. Carlos Portinho (PL), votou favorável ao absurdo;
– Sen. Romário (PL), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Bandeira de Mello (PSB), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Bebeto (PP), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Caio Vianna (PSD), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Carlos Jordy (PL), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Chico Alencar (PSOL) “ABSTENÇÃO”;
– Dep. Chris Tonietto (PL), votou favorável ao absurdo;
– Dani Cunha (União), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Daniela do Waguinho (União), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Delegado Ramagem (PL), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Doutor Luizinho (PP), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Enfermeira Rejane (PCdoB), votou favorável ao absurdo;
– Dep. General Pazuello (PL), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Glauber Braga (PSOL) “ABSTENÇÃO”;
– Dep. Gutemberg Reis (MDB), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Helio Lopes (PL), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Hugo Leal (PSD), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Jandira Feghali (PCdoB), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Jorge Braz (Republicanos), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Julio Lopes (PP), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Juninho do Pneu (União), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Laura Carneiro (PSD), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Lindbergh Farias (PT), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Luciano Vieira (Republicanos), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Luis Carlos Gomes (Republicanos), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Luiz Lima (Novo) “OBSTRUÇÃO”;
– Dep. Marcelo Crivella (Republicanos), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Marcelo Queiroz (PP), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Marcos Soares (União), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Marcos Tavares (PDT), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Max Lemos (PDT), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Murillo Gouvea (União), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Pastor Henrique Vieira “ABSTENÇÂO”;
– Dep. Pedro Paulo (PSD), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Reimont (PT), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Ricardo Abrão (União), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Roberto Monteiro Pai (PL), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Sargento Portugal (Podemos), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Soraya Santos (PL), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Sóstenes Cavalcante (PL), votou favorável ao absurdo;
– Dep. Tarcísio Motta (PSOL) “ABSTENÇÂO”.
Caso você more em outra Unidade da Federação, não fique triste. Podes acompanhar qual foi o posicionamento de seu representante no site da Câmara dos Deputados. Para ver (e talvez se assustar) clique AQUI. A votação no Senado, desse mesmo PLP, pode ser vista clicando AQUI.
Se quem me lê nesta oportunidade, assim como eu, faz parte da grande maioria da sociedade brasileira que repudia esse escandaloso incremento de sanguessugas na Câmara Federal, e que abomina, também, a atuação quase sempre medíocre desses políticos, faça o que é necessário nas urnas – cuja fraude se infere ser seletiva, segundo alarde rotineiramente assistido, ou seja, apenas conclamada por quem não ganhou – ajude a banir da vida pública essa cambada, por favor.



















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