O transporte nosso de cada dia

Embalados pela animadíssima Copa do Mundo, de ontem para hoje pelo menos dois fatos negativos impactaram o bolso dos cidadãos aqui na Cidade do Rio de Janeiro e região metropolitana: a taxação dos aposentados e pensionistas da prefeitura do Rio e o aumento da passagem dos ônibus que circulam pela capital do Estado.

Quanto à primeira bomba, digo que não era de se esperar outra coisa de uma gestão municipal que se mostra, desde o início, tão inapta, mentirosa e debochada. Nunca vi coisa igual, francamente. O placar, para que todos possam ver como votaram os nobres Vereadores, está no link acima. Que sejam lembrados com “carinho” nas eleições vindouras os que ajudaram a massacrar ainda mais os servidores públicos.

Já em relação aos ônibus aqui do Rio, cuja promessa furada era que estivessem todos climatizados até o final de 2016 – agora só em 2020… será? – as passagens passam a custar, hoje, R$ 3,95. O reajuste foi aplicado pela prefeitura, por meio do Decreto nº 44.600 de 1º de junho de 2018. Quão forte é a turma dos ônibus, não é mesmo? Até Ministro do STF não deixa que ponham a mão nesse pessoal…

Bom, os transportes públicos maravilhosos são mais um dos legados futebolísticos e olímpicos que estamos esperando chegar até agora. Onde moro, por exemplo, na Zona Oeste da capital, somos muito mal servidos nesse quesito. Impressiona o fato de que são os bairros daqui decisivos em qualquer disputa para a municipalidade, mas que após a eleição dos alcaides os cidadãos continuam a padecer dos mesmos problemas, entra ano e sai ano.

Utilizo com grande frequência ônibus e metrô, já que trabalho no Centro e não sou louco de ir para lá por meios próprios. Fora os engarrafamentos monumentais na Avenida Brasil (ontem fiz o percurso de ida, de frescão, em aproximadas 3 horas), ainda há questões que envolvem a nossa própria segurança. O prejuízo num assalto dentro de transporte público tende a ser muito menor do que num veículo particular, se enfocarmos apenas questões materiais e não a própria saúde e/ou vida.

Na verdade, somos reféns desse transporte de péssima qualidade, que parece ser muito mais útil aos governantes corruptos de plantão, por motivos eleitoreiros óbvios, do que aos infelizes usuários. São constantes os carros quebrados, os condicionadores de ar que não funcionam (cansei de pegar “quentões” também), as superlotações, os condutores despreparados. As imagens desta publicação, a propósito, foram feitas por mim com o celular e retratam um pouco dessa angústia diária.

E a quem reclamar??? Perdi meu tempo em algumas ocasiões enviando informações sobre climatização deficiente, goteiras, bancos quebrados, etc. para o WhatsApp de um tal “Fale Ônibus”. Acho que nem funciona mais: (21) 99931-6771. Eles pediam uma série de informações, tais como seu nome completo, data, hora e bairro do embarque, sentido, linha do ônibus, viação, número de ordem do veículo e itinerário… Ufa! Após verificar pacientemente isso tudo e digitar corretamente naquele bendito tecladinho de celular, eles informam um protocolo e dizem que enviaram para a empresa em questão, que, pasmem, deveria tomar as medidas cabíveis e me responder em até cinco dias.  Nem precisa dizer que nunca recebi qualquer tipo de retorno. Mais um serviço de excelência a quem paga impostos e passagens cada vez mais caros, para inglês ver.

De qualquer forma, verifiquei que atualmente existe um site para que as reclamações sejam feitas, o www.faleonibus.com.br, aparentemente sob a responsabilidade da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro. Segundo o que li, a média de atendimentos por mês chega a 15.000 e 90% das reclamações são resolvidas. Fantástico, Primeiro Mundo. Parece até o serviço do 1746 da prefeitura do Rio. Se quiserem tentar – mas não fiquem tristes comigo se a decepção for grande!!! – fiquem à vontade. Boa sorte!

Sobre Mauro Blanco

Sou carioca da gema, morador da Zona Oeste, tricolor, bacharel e mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e servidor concursado da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Já atuei como Oficial Temporário no Exército Brasileiro, na Companhia Municipal de Limpeza Urbana (como Subgerente na Gerência de Vetores), na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (como Coordenador de Controle de Vetores, Coordenador de Vigilância Ambiental em Saúde e Diretor do Centro de Vigilância e Fiscalização Sanitária em Zoonoses Paulo Dacorso Filho), e na Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais, instância pertencente à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, como Subsecretário.
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10 respostas para O transporte nosso de cada dia

  1. Edson Souza de Assis disse:

    O povo tem o que merece.

  2. Danielle Porcari disse:

    Infelizmente esta questão é um reflexo das nossas péssimas escolhas! Excelente publicação! Grd abraço

  3. Daniel N Faria disse:

    O preço das passagens não diminuiram mesmo depois da dupla função de motorista e cobrador, esses empresários de ônibus são uns aproveitadores.

  4. Eliana Tanner disse:

    Ótima matéria Mauro, mas tudo só piora! O que fazer???

    • Mauro Blanco disse:

      Amiga Eliana, infelizmente há uma grande massa analfabeta política que vota de acordo com a satisfação de conveniências próprias, não coletivas. São pessoas facilmente enganadas, manipuladas. O dia em que tivermos mais educação, creio que votaremos com mais responsabilidade e seletividade. Outra questão que não ajuda: o voto obrigatório. Em país realmente desenvolvido, vota quem quer mudanças.

  5. Cíntia Mendes disse:

    Ótima matéria. Muito atual e nos atraí a sermos críticos. Concordo com você Mauro na resposta para a Eliana. O que me indigna é que as pessoas estão focadas em outras coisas e não querem se preocupar com o voto. Muitas até dizem, “não gosto de política”, mas tem que gostar! Ou pelo menos se envolver para buscar conhecer o candidato e tentar acertar. Porque na verdade nunca sabemos se a pessoa em quem votamos irá realmente fazer algo para uma vida melhor da população. Enquanto isso, as pessoas só reclamam e não fazem nada para mudar.

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